Super Lua


Dizem e vejo que hoje é dia de Super Lua. Deve ter o teu dedo... Dizem também que está assim porque a Lua Cheia estará mais perto do perigeu orbital. Tontinhos não sabem que isto tem o teu dedo... Dizem ainda que hoje a Lua Cheia tem um tamanho quatorze porcento maior e será trinta porcento mais brilhante do que a Lua Cheia no apogeu. Percentagens e nomes impressionantes mesmo para ti...

Sempre achei que tu e a lua eram uma deleitosa simbiose onde a beleza, grandeza, brilho e mistério se uniram para tresloucar os homens, numa mitologia moderna, que inventei embriagado de desejo, e que defenderei tenazmente até a boca me arrefecer. Uma é a outra, uma faz a outra, duas duplicaram-se em uma, para que eu me multiplicasse em sonhos infindáveis.

Por isso hoje aqui estou, a olhar a Lua. E só sairei daqui quando chegar a vez do Sol. Tenho medo que a levem, ouvi dizer que há homens com escadotes muito altos.

 

E, por vezes, só por vezes, porque apenas por vezes encontramos pessoas verdadeiramente especiais e únicas, temos a sôfrega necessidade de falar do que ousou distanciar o que não pode estar distante, do que por não poder estar distante já se ultrapassou, do que lembra quem é e quanto é importante. Se não o fizermos, vive-se, mas é como escrever com a mão adormecida...

Final de tarde de Domingo


       É um final de tarde de Domingo que cai inteiro naquela sala enchendo-a de melancolia e tédio. Sim.... Como todos os finais de tarde de Domingo.
Ele e ela ali estavam, lado a lado, ainda que cosidos ao sofá a preguiça ia fazendo-os escorregar lentamente para fora dele. Era essa a única razão para não adormecerem.
Viam um filme, daqueles que dão aos finais de tarde de Domingo, com um homem grande a mostrar quem manda, repleto de tiros que só acertam nos maus e cheio de explosões em câmara lenta nas costas do tal grandão. Mas este homem não está sozinho, tem que proteger a mulher mais impactante que encontrou naquela cidade perigosa, coitado... Ainda por cima... Há dias assim... Mas aquela deusa de carne também não tem muita sorte, logo naquele dia tão complicado e turbulento tinha que ter vestido aquele vestido curto vermelho e o vento empenhado em enervá-lo...
E lá andavam os dois nas correrias dos justiceiros, ele todo sujo e suado, ela graciosa nos seus saltos altos que nem para fazer amor se devem tirar.
Era nisto em que ele e ela assentavam os olhos naquele final de tarde de Domingo, lado a lado. Até que ele de súbito e inesperadamente olha-a e diz:
-  Eu amo-te, amo-te toda, eu a ti só te quero dar tudo.  Amo-te até que alguém nos tire deste mundo e, na verdade, quando tirarem havemos de continuar noutro lugar e ainda com mais força, como se eu acreditasse ter mais força ou mais amor para te dar. É isso... Eu amo-te...
Ela olhou ele, os olhos dela ficaram brilhantes ao ver o brilho dos dele, ela humedeceu os lábios quando viu o vermelho dos dele, ela avançou para ele paulatinamente para que lesta se afastasse de imediato e dissesse de novo com os olhos cravados na televisão:
- Não fazes mais nada do que a tua obrigação.