Avesso do Mundo


Começo agora a acreditar!

Sem este amor em mim,

O mundo iria mudar.

Talvez, conhece-se o fim.


Os pássaros sem penas,

Nem asas para voar;

Os filmes sem as cenas,

Que nos fazem chorar.


As bocas sem sorrisos,

Ninguém para as beijar.

Braços sem corpos,

Para os abraçar.


Não haveria céu azul,

A lua não enchiria.

Sem norte e sul,

A Terra vazia.


Sem pauta e melodia;

Sem batuta para agitar.

Nem o canto da poesia,

Nem voz para a cantar.

Talvez um dia...


Talvez um dia percebamos a importância de quem está ao lado, talvez um dia lhe daremos o devido valor...

Talvez um dia as lágrimas de quem nos rodeia nos salgue a boca, talvez um dia as suas gargalhadas nos faça doer a barriga...

Talvez um dia o “ele” passe a ser a primeira pessoa do singular...

Talvez um dia se constate, que ninguém se basta a si próprio...

Talvez um dia se agradeça, que somos o que somos, por estarmos rodeados por quem estamos...

Talvez um dia... eu deixe de sonhar... talvez um dia...


Sapatos sem gente dentro


Senhorial demanda,

via sacra dos mortais...

Com dono ausente caminham,

Em torpel agitam-se na alvorada,

Com pressa de coisa nenhuma dançam,

Ao som da canção mais triste.

Dizem que chegam onde não querem.

Toscos e torpes avançam,

no caminho uns dos outros;

E outros sem caminho de nenhum.

Sapatos sem gente dentro,

Almas sem gente por fora.

Passam sem cautela pelo homem que as vende,

Com olhos gentis que já não vêem;

E pele seca que já não sente.

Hoje ouvi a tua voz


Hoje ouvi a tua voz, como foi bom ouvi-la... Escorria dos favos que dão o mel mais doce; vinha lá longe, de campos de alfazemas para vir morrer no meu coração; trouxe-a um faisão dourado, com asas de saudade.

Foste a doce Primavera de Vivaldi, o desassossego de Rossini, a alegria de Beethoven, a ternura de Puccini... Foste a ária mais sublime do mais genial compositor: o Amor.