E se puderes...
Traz as portas fechadas, os sussuros, os segredos. Traz o barulho do mar, a espuma da loucura, a humidade do desejo. Traz as vontades do presente, os momentos do passado, a esperança no futuro. Traz a gramática dos afetos, as rimas de amor, os pontos de exclamação. Traz a pele de galinha, o rosto para corar, os lábios para morder. Traz os olhos para falar, o boca para olhar, o cabelo para cheirar. Traz a paz no mundo, a prata da lua, o ouro do sol. Traz a noite inteira, o anoitecer, o amanhecer. Traz a vontade de eu te guiar, os caminhos calcados, os que caem no horizonte. Traz o fascínio de Marte, o desejo de Vénus, os anéis de Saturno. Traz o fogo dos dragões, a nobreza dos centauros, a pureza dos unicórnios. Traz a Torre Eiffel, o Taj Mahal, a Quinta das Lágrimas. Traz os gestos nas mãos, a gargalhada no coração, o sorriso na alma. Traz a guitarra de Jonh Mayer, a voz de Eddie Vedder, a loucura de Jimi Hendrix. Traz a Lágrima Furtiva de Puccini, a Primavera de Vivaldi, a Nocturna de Chopin. Traz a rosa de Exupéry, a Laranja Lima de Vasconcelos, o Chão de Rushdie. Traz o punhal de Inês, o Veneno de Romeu, a Poção de Tristão e Isolda.
E se achares que falta alguma coisa, trá-la também. Traz tudo, não te esqueças de nada, nem percas nada pelo caminho. Mas se puderes, esquece-te aqui de ti, eu prometo cuidar mas não posso prometer devolver.

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